Donata Meirelles aponta as modificações na indústria da moda com o crescimento do número de veganos

Não é novidade que a moda recebe influências das mais variadas, salienta a empresária Donata Meirelles. Isso acaba propiciando com que surjam diversas oportunidades de negócios, uma vez que podem surgir novas demandas que passam também pelo mercado fashion. A onda vegana, que é descrita pelos adeptos como um estilo de vida, já que não se restringe ao campo alimentar, é uma das responsáveis pela abertura de empresas que produzem e comercializam roupas, calçadas e acessórios sem o emprego de matérias-primas de origem animal, enfatiza a empreendedora.

O estilo vegano de se levar a vida conquista cada vez mais pessoas em diversos países. O Brasil é um dos mais expressivos no que se refere ao veganismo, de forma que um percentual significativo das indústrias se constitui de empresas voltadas a esta população. Até mesmo as companhias que não surgiram exclusivamente em virtude desse público têm mostrado interesse na conquista desse mercado consumidor. A forma encontrada por alguns negócios foi a criação de linhas de produtos específicas. Desse modo, além de atenderem o restante da clientela, conseguem conquistar os novos consumidores.

Estima-se que o veganismo possui grande parte de suas atenções voltadas para a questão alimentar. Ainda que os adeptos primem por uma alimentação que não passe perto de produtos feitos com ingredientes extraídos dos animais, o vestuário é também uma grande preocupação para tais pessoas. A empresária destaca que os empreendedores interessados em atuar em negócios desse tipo devem atentar para capacitações que lhes expliquem com exatidão do que se trata este movimento. Tal postura é necessária a fim de que os consumidores se sintam de fato seguros na hora das compras.

Segundo um levantamento feito pelo portal Veganismo, que como o próprio nome sugere, é dedicado à cultura vegana, tornou-se possível traçar quais são os anseios dos adeptos desse modo de se viver. Dentre os pontos elencados pelo estudo, Donata Meirelles ressalta que há um caráter de compensação quando os veganos vão às compras de roupa, por exemplo. Essa conclusão partiu da observação de que estas pessoas vão em busca de peças que possam substituir com eficiência artigos feitos com lã, couro, seda, plumas, camurça e outros materiais de mesmo gênero.

O veganismo, de acordo com o levantamento em questão, volta-se também à preocupação com o homem. Esse aspecto do estilo de vida foi percebido em razão dos adeptos mostrarem-se preocupados com as condições de trabalho a que eram submetidas as pessoas que atuavam na produção de itens de consumo. Caso uma dada empresa não se mostrasse cumpridora dos direitos trabalhistas ou de outras questões humanitárias, consumidores veganos deixariam de comprar suas mercadorias. Além disso, esta clientela dá prioridade para a aquisição de tudo aquilo que possa ser reciclado ou reaproveitado de alguma forma.

A comunicação surge como uma importante aliada em se tratando do mercado de artigos destinados ao público vegano ou até mesmo para quem se diz simpatizante da causa, elucida Donata Meirelles. Após a realização de uma pesquisa organizada pelo Ibope, concluiu-se que mais da metade da população do país estava disposta a adquirir produtos veganos se tivesse certeza disso. Os entrevistados alegaram que, caso este dado viesse claramente exposto nas embalagens, por exemplo, haveria grande chance de compra. Essa conclusão acendeu a discussão acerca da relevância das certificações como modo de se cativar o já crescente público vegano.

Assim sendo, gestores de diversas empresas passaram a ver nas certificações uma das principais formas de promoção dos produtos que atendem aos critérios veganos. A empreendedora informa que, mesmo que uma dada companhia produza de fato itens que não empreguem materiais extraídos de animais, os consumidores precisam conhecer claramente este posicionamento, a fim de que se torne prático o momento da aquisição. Não basta apenas produzir em consonância com o que estabelece o movimento, é também fundamental que isso seja exposto com clareza, pontua a brasileira.

Alguns termos são típicos desse tipo de marketing destinado à promoção dos produtos veganos. Donata Meirelles assinala que, embora a criatividade possa ser largamente utilizada para que se consiga destacar tais mercadorias, uma espécie de protocolo facilita a identificação desses itens, podendo resultar em maior lucratividade para as companhias. Uma das expressões mais utilizadas pela indústria é “Cruelty-free”, que pode ser entendida como “livre de crueldade, em uma alusão ao não emprego de técnicas de produção que agridam os animais. O termo “Vegan-Friendly” também pode ser usado para que a clientela se certifique da natureza de um dado produto que está à venda.

A certeza por parte dos consumidores quanto aos selos apresentados pelas empresas surge das organizações certificadoras que os concedem. Há instituições que atuam em caráter internacional e outras especificamente no território brasileiro. Para que possa ostentar um determinado selo, uma dada empresa precisa cumprir os critérios elencados dentro do que a cultura vegana realmente estabelece como ideal para consumo.